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Colhendo os 'cacos' da corrupção policial

Data: 04/08/2010 - 22:12

O globo on line

Possível sonhar?

Colhendo os 'cacos' da corrupção policial

Publicada em 03/08/2010 às 19h55m

Há semanas que não se fala em outra coisa. Mortes de inocentes, flagrantes de corrupção, discursos, anúncios, medidas, enfim, todos mobilizados para 'acabar' com a grande vilã, a Polícia do Rio de Janeiro. Criminosos de toda ordem não seriam culpados se não existisse uma polícia tão ruim. Afinal, deve ser fácil expurgar os maus elementos e substituí-los por homens e mulheres altos, fortes, com fardas lindas e limpas, quiçá de olhos azuis e sem máculas no exercício profissional. Sob o comando de oficiais exemplares, formados nas melhores escolas do país e sob a ingerência de governantes honestos que usam cada centavo do que arrecadam com impostos escorchantes para o bem e a segurança da população.Todos felizes com o reconhecimento pecuniário e de progresso profissional que recebem em suas vidas.

" Somos um povo com sérios problemas de educação, acostumado a privilégios, apadrinhamentos, desmandos e à quase impossibilidade de se galgar sucesso ou realização pessoal apenas pelo mérito "


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Sonho? Esperança? Devemos abandoná-los? Talvez. Sobretudo, quando a análise mais fria, sem a influência de tal clamor, alimentado pela mídia a cada momento, nos traz de volta ao que temos e somos. Um povo com sérios problemas de educação, acostumado a presenciar privilégios, apadrinhamentos, desmandos e à quase impossibilidade de se galgar o sucesso, ou mesmo a realização pessoal, apenas pelo mérito.

Filhos de inúmeras gerações que sonharam em ser policiais, militares, criminologistas, agentes operacionais pelo puro e simples prazer da realização, talvez infantil, mas inquestionável. Seria possível pensar que muitos não tenham sonhado com uma carreira de sucesso fora da formalidade de um escritório? Possivelmente não. O mais provável, com o respaldo de exemplos cotidianos, é o abandono progressivo dos sonhos, da vocação, muitas vezes com o preparo adquirido em anos de gastos e de esforço.

No fim, precisamos pensar: o que restou? Exatamente o que vemos hoje. Péssima formação, condutas incompatíveis com o mínimo de civilidade, alardeadas a cada dia pelos ecos de tragédias sucessivas, pelos 'cacos' deixados por toda a sorte de acontecimentos estarrecedores. O que fazer então? Como podemos, a partir de agora, levar adiante nossas vidas, sonhos e o simples 'ir e vir' sem tantos sobressaltos? Andar nas ruas em paz e com o mínimo de confiança em quem deve nos proteger? Como podemos acreditar em um amanhã melhor?

* Mestre e Doutor em Neurologia e Oficial Médico da Polícia Militar do RJ

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